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A vida, os Jogos e tudo mais! // Rota de Colisão Old School

Olá, amigos do Level+. Tudo certinho? O texto de hoje será bipolar, ou seja, vou defender e atacar uma denominação criada para gamers velhos: “ Old School ”. Prefiro chamar de Saudosistas, pois nós sentimos falta de algo que os jogos nos davam antigamente. Bem, vamos ao texto em si Rota de Colisão Old School.

Usando um pouco a realidade para iniciar meus argumentos: Através do Kickstarter, uma plataforma de vaquinha (botando em termos mais simples), nós teremos o primeiro game totalmente pago para ser desenvolvido pelos gamers. Por esta plataforma, Tim Schafer, criador dos memoráveis Grim Fandango e Full Throttle, além de lenda na parte de jogos na LucasArts, resolveu fazer um apelo a nós, gamers, para arrecadar U$ 400.000,00 para começar e completar um projeto de um game adventure point and click, como os que os tornaram conhecidos (digo eles pois no projeto também está Ron Gilbert, criador de Monkey Island e Maniac Mansion). Caso você, leitor, não acesse sites de notícia de games, como o Kotaku BR, não sabe que, em menos de um dia, o cabra conseguiu arrecadar mais de U$ 1.000.000,00. O interessante é notar que você pode doar o mínimo, que é um dólar, mas eles disponibilizaram uma quantidade limitada de slots para doações de 250 dólares para cima e, quem doou U$ 10.000,00 (que era apenas um slot), ganhou um almoço com os criadores e fundadores da Double Fine. Nesses slots limitados também eram dados prêmios bacanudos, mas, como não posso ajudar, prefiro não comentar sobre eles.

O Cara que mexeu com "as internetá".

O que essa informação do parágrafo anterior prova? Que, além de um produtor de games ter uma enorme extensão de fãs, a nossa indústria não tem feito todo o trabalho que nós queremos. Nós, os Saudosistas ou gamers que não estamos mais tão afim de explosões a cada três minutos, sentimos falta de um jogo que faça a cuca queimar. Um point and click antigo era uma coisa muito bacana, que demandava um tanto de saco e muito da intuição e da inteligência. E é esse, principalmente, o público que apoiou essa idéia. Achamos mais prático pagar diretamente para o desenvolvedor criar o seu jogo do jeitinho que nós queremos, ou quase isso, do que esperar que aquela parcela que não compra os blockbusters atuais sejam notados e perguntados “Então, camaradas. O que vocês querem?”.

Saudosismo na área gamer se trata de algo bem vindo, claro, mas também tem lá seus contras: Nunca vi tantos produtores usarem como pretexto para puxar jogadores a frase “ Old School ”. Gosto de coisas do passado, aonde explosões eram algo que, quando aparecia, a gente falava “Era isso que eu estava falando, caramba!” ou que diferenciasse as nossas experiências. Jogar Duke Nukem 3D era divertido porque, na época, um jogo meio descerebrado era algo necessário às vezes. Desligar quase todo intelecto e procurar um jogo que foi produzido pela ID Software (“old schools vão entender”) era bacana.

Ainda acho a capa mais bacana de todos os tempos.

Também me lembro das locadoras (falando nisso, já ouviu nosso GameTrack sobre Locadora? Escute lá). Era naquele local que o Hype por determinado jogo surgia, pois era possível jogar nos consoles disponibilizados pela mesmas os lançamentos, fazendo o trabalho de blogs de games, de notícias gamers e um pouco do que as revistas faziam de games faziam. Vivemos uma época em que comprar jogos era mais difícil, por não ter tanto review (falando nisso, dêem uma olhada no nosso piloto de +Review, nossa nova atração) e a única forma de conhecer o jogo antes era na locadora ou na casa de algum amigo.

Tenho jogado Bastion e percebi que, mesmo sem usar nada desses termos, é um tipo de jogo que, pessoas que viveram os anos 90 vão apreciar mais e lembrar-se de toda a magia envolvida em jogos nesse estilo.  Ele não precisa se valer disso, como The Binding of Isaac ou Super Meat Boy!, que, apesar de serem ótimos jogos (ou não), batem muito o pé com esse argumento, dizendo que vão trazer as sensações de um jogo old school. Tenho os três mencionados nesse parágrafo é, posso dizer que me senti em um clima mais próximo ao que sentia antigamente jogando Bastion. A construção da história e a intuitividade demanda por ele são incríveis. Sempre preciso pensar bem antes de sair, ponderando se aquela combinação de armas e de special vai ser boa para aquela fase, ou se é melhor voltar para o Bastion e modificar.

Espero que o texto não tenha se tornado longo, chato e sem nexo. Agradeço pela atenção aos que comentam, e aos que não o fazem, desejo que uma mão saia agora da cadeira de onde você está e entre no seu ânus, espero que possamos conversar, dividir pontos de vista e tudo mais. Um abraço para todos e vou usar uma das minhas habilidades para encerrar meus textos: Frases Filosóficas!

“Vivemos sonhos e sonhamos pesadelos”.

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