topo

Serious Business // Jogos como meio de contar histórias

Costumo dizer que não gosto só de filmes ou livros, gosto de histórias. Adoro ver como as pessoas conseguem contar histórias das mais variadas formas, utilizando as ferramentas que possuem,  sejam elas visuais, textuais ou verbais. Por isso gosto tanto de RPG. Afinal, o que é uma aventura de RPG senão uma história sendo contada por várias pessoas interagindo entre si?

Conforme os games foram tornando-se mais complexos, descobriu-se uma nova maneira de contar histórias, onde, assim como no RPG, os jogadores são agentes do enredo, com a diferença de que nos video games você não precisa imaginar o que está acontecendo. Através da tecnologia implementada, é possível mostrar as consequências das ações do jogador em tempo real.

Porém, como mídia nova que é, os jogos sofrem para estabelecerem-se como um bom meio para contar histórias (assim como sofreu o cinema no início).

Praticamente todos os jogos mainstream (e a maioria dos indies também) limitam-se a contar histórias de ficção-científica, fantasia ou guerra. Ou seja: temáticas nerds. Isso é um reflexo da maneira como a própria indústria se construiu. Video games começaram, basicamente, com programadores nerds produzindo games para um público nerd que, por sua vez, adorava consumir aquele conteúdo.

Snake no Metal Gear Solid 4

As mecânicas, os gráficos, a tecnologia e a própria maneira de contar histórias evoluiu. Mas as temáticas continuam as mesmas.

Mesmo em jogos que tentam fugir desse padrão, como Heavy Rain, existem elementos de ficção-científica (óculos do agente Jayden).

Outro limitador dos jogos como meio de contar histórias é a própria mecânica dos games. Atualmente, a maioria dos jogos são baseados em violência, o que dificulta o trabalho dos roteiristas (afinal o jogador vai ter que bater ou atirar em alguém durante boa parte do jogo). Sem contar que ao incluir o jogador como um agente dentro da história, a visão do todo de uma história fica prejudicada. Afinal, como jogadores, sempre queremos ser o protagonista daquela história.

Acredito que, assim como os filmes, os games terão que mudar (e melhorar) seus roteiros para estabelecer-se como uma boa forma de contar uma história. Principalmente em épocas em que o público gamer já não é tão nerd quanto era antigamente.

Cena do Trailer de Heavy Rain