topo

Serious Business // A Realidade e os Games

Ultimamente tenho lido o livro Reality is Broken da game designer Jane McGonigal, pois estou escrevendo um artigo acadêmico sobre alguns assuntos que ela aborda. Um desses assuntos é uma visão da realidade em relação aos games. Achei tão interessante a visão da autora que não pude deixar de compartilhar com vocês.

Atualmente, a média de idade dos gamers é de 35 anos e jogam videogame desde os 10 anos. Videogame é a maior indústria do entretenimento, superando filmes e música. A WoWWiki é a segunda maior Wiki do mundo, perdendo apenas para o Wikipedia. Vivemos em um mundo onde o banco popular da China teve que interferir na economia para evitar que moedas de jogos virtuais causassem deflação do Yuan (moeda nacional do país). Um mundo onde os gamers pretendem continuar sendo gamers pelo resto de suas vidas.

Realidade nos Jogos

Nós, gamers, não estamos rejeitando a realidade. Temos nossos empregos, esposas/maridos, namoradas(os). Todos nós temos nossos compromissos e objetivos pessoais. Mas por quê gastamos tanto tempo jogando, ou falando sobre jogos, ou lendo sobre jogos? Por que, muitas vezes, alguns de nós preferem passar horas na frente da TV, portátil ou PC ao invés de se dedicar a qualquer outra atividade social? Simples: o universo não foi feito pra nós… os games sim.

Games foram desenvolvidos para fazer com que o ser humano aproveite toda a capacidade que é mal utilizada pelo mundo real. Na vida real, muitas vezes, temos um emprego chato, burocrático e que não nos satisfaz. Mas ao chegar em casa podemos ser um Orc level 87 que planeja raids complexas e interage com as mais fantásticas raças de Azeroth. Ou podemos ser um semi-deus responsável pela destruição de todo um séquito de divindades. Ou soldados, que usam táticas reais, e são responsáveis por evitar a destruição de toda a humanidade.

A realidade não tem a capacidade de nos motivar efetivamente. A realidade não nos dá recompensas suficientes pelas ações que realizamos. A realidade não nos oferece um meio de interação social tão eficaz. Enfim, a realidade não foi pensada para nos fazer felizes.

Considerando isso, temos a seguinte situação: aos poucos as pessoas estão fugindo para os mundos virtuais. E isso, de maneira alguma, é algo ruim. É simplesmente mal aproveitado. É preciso fazer com que as habilidades usadas nos games sejam aproveitadas no mundo real. E é preciso fazer com que o mundo real seja tão agradável e divertido quanto os mundos virtuais. Mas aqui entramos em outra discussão que quero aproveitar em outro post. =)

Achievement

Para entender melhor, segue um vídeo da Jane McGonigal no TED, explicando melhor sobre essa visão.