MetafisicadeMorrowind

Cultura Gamer // A Metafísica de Morrowind – Parte 1

Introdução à introdução:

O texto a seguir é uma tradução do estudo The Metaphysics of Morrowind (A Metafísica de Morrowind) feito por Kate “Kateri” em seu blog Falling Awkwardly. Esta é a primeira de quatro partes, que já estão disponíveis em inglês em seu blog. Pois gamers também são filósofos (e vice-versa!), e para os que não entendem inglês, com o tempo vou traduzir todas as partes.

Parte 1: Introdução

Quando falamos sobre o mundo em que vivemos, podemos falar sobre leis físicas, como a gravidade e as regras da termodinâmica. Também podemos falar sobre metafísica: meta sendo grego para “além”. Aí é onde a ciência encontra a filosofia, onde nós podemos tentar identificar princípios da realidade que vão além da física comum. Teorias de tempo e espaço, de casualidade e determinismo, da natureza da própria existência.

Quando falamos sobre os jogos que jogamos, podemos falar sobre as mecânicas do jogo, como o engine controla e define espaço e tempo, talvez como o motor de física governa as interações de objetos dentro do espaço virtual. As regras do mundo do jogo; as regras do jogo. Tais regras, claro, são ditadas pelas necessidades e demandas da gameplay e não da natureza. Se jogos fossem realistas, você teria apenas uma vida. Então, experimento mental: como deve se sentir ser um personagem em um jogo, e existir de acordo com as regras do engine do jogo? Como você formularia teorias sobre a metafísica do seu mundo?

Alguns jogos tentam mascarar as diferenças entre nosso mundo e o mundo do jogo criando justificativas para a existência de mecânicas óbvias de jogo. Você não está salvando em um savepoint, Jade está salvando em seu disco de dados no máquina de leitura de MDisc. Ou é um cristal  de memória místico, ou o protagonista está gravando seu progresso em uma agenda, ou alguma outra emulação de realismo. Nels Anderson chama isso de “o Disfarce”.

Animal Crossing - Mr. Resetti

Alternativamente, a metafísica é algumas vezes colocada em jogos puramente como uma piada, quando personagens auto-conscientes quebram o fourth wall (quarta parede) para apontar as mecânicas de seu próprio jogo. Um bom exemplo relacionado a tempo e mecânicas de save está na série Animal Crossing. Se você resetar o jogo sem salvar, esteja avisado. Da próxima vez que carregar, Resetti ,a Toupeira Nervosa, vai te dar um longo sermão por tentar dobrar o tecido do tempo, o que não o causou somente um enorme inconveniente, como também provocou uma vasta ofensa moral.

A série Elder Scrolls não faz realmente nenhuma dessas coisas – e ainda, de uma certa forma, faz ambas. No processo, ela faz coisas muito estranhas com a quarta parede, não exatamente a quebrando mas a modificando, movendo, torcendo, pintando de roxo e sentando em cima rindo.

A cultura (lore) de Elder Scrolls é tão linda e complicada que algumas pessoas passaram quase uma década a estudando, e ainda existem grandes áreas de mistério e debate. Enquanto eu me consideraria um tanto sábio, não sou de forma alguma um expert nos altos níveis da metafísica, que pode ficar horrivelmente estranha e fazer com que certas discussões nos fórums de cultura da Bethesda fiquem incompreensíveis para o leitor comum. Esta é uma tentativa de esclarecer alguns dos problemas de meta-jogo mais interessantes. Erros são possíveis, e correções bem-vindas. Para que tudo fique gerenciável, alguns detalhes serão omitidos, mas vou deixar links para leitura mais detalhada para os lunáticos interessados.

Eu devo mencionar agora que muitos “mestres culturais” (loremasters) de Elder Scrolls se zangam com a prática de apontar aspectos meta/que-quebrem-a-quarta-parede da cultura de ES. Enquanto eles não negam a sua existência, discutí-los é considerado ”estragar a brincadeira”. Não só isso, focar-se nos aspectos meta como a verdade “absoluta” é não entender que eles estão longe de ser a última camada da cebola que é a história de ES. Eles são um de muitas interpretações, e difícilmente a mais profunda, ou a mais interessante. Como dizem os loremasters mais hardcore. E estão certos.

“O mundo é compreendido através de metáforas. Linguagem é um sistema de metáforas. Matemática é um sistema de metáforas. Todas as escolas do mundo real de mágica e religião baseam-se na compreensão dos vastos sistemas de metáforas, símbolos que relacionam-se com conceitos. Os jogos Elder Scrolls possuem grandes e ricas séries de metáforas que dizem respeito à vida, o universo, e o lugar de “nós” no grande plano das coisas – com uma ênfase obscura em temas de ascenção – para que possa exisitir muita recompensa as coletando e contemplanto.”

-Ldones, fórum Bethesda, 25/03/05

De qualquer maneira, estes posts irão focar-se nos aspectos de meta-jogo.

Na parte 2: Quebrando o Dragão, ou: Como Tiber Septim Aprendeu a Parar de se Preocupar e Recarregar o Jogo.

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